Diabetes: quais exames pedir e quando a glicemia vira diagnóstico? (HbA1c, jejum e TOTG)
- Arua Dagnone

- 10 de jan.
- 2 min de leitura

Entenda, de forma simples, quais valores sugerem diabetes, quais exames valem mais para o dentista e quando é hora de encaminhar para avaliação médica.
Por trás de muitos sangramentos gengivais persistentes (ou de uma cicatrização “teimosa”) pode existir algo maior do que escova e fio dental: controle glicêmico. E aqui vai um ponto importante: o dentista não “fecha” diagnóstico médico, mas pode — e deve — suspeitar, orientar e encaminhar.
O que pode ser considerado diabetes? (em termos laboratoriais)
De forma geral, critérios usados na prática clínica incluem:
Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL
HbA1c ≥ 6,5%
TOTG/OGTT (2h após 75 g) ≥ 200 mg/dL
Glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos(AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, s.d.; WORLD HEALTH ORGANIZATION, s.d.).
➡️ Importante: em muitos casos, é recomendável confirmar o achado em nova coleta, conforme avaliação médica.
Qual exame “faz mais sentido” para o dentista pedir (ou solicitar que o paciente traga)?
Aqui não tem mistério: HbA1c costuma ser o exame mais útil para nós, porque reflete uma média da glicemia ao longo das últimas semanas/meses e aparece com frequência nos estudos que avaliam boca x diabetes (PRESHAW, 2013; CHEE et al., 2025).
✅ Na prática:
Se o paciente já é diabético: pedir HbA1c recente e lista de medicamentos (CHEE et al., 2025).
Se não tem diagnóstico, mas há sinais de risco: orientar avaliação médica e sugerir HbA1c + glicemia de jejum como triagem inicial (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, s.d.).
Quando eu, como dentista, devo “ligar o alerta”?
Alguns sinais que merecem atenção (sobretudo quando persistem apesar de boa higiene):
gengiva que sangra facilmente e com frequência;
bolsas periodontais profundas e recorrentes;
halitose persistente;
infecções repetidas;
cicatrização lenta após procedimentos;
história familiar e/ou ganho de peso, sedentarismo, etc.
➡️ E aqui entra a ideia central do nosso blog: a boca não é um apêndice do corpo — ela é corpo. Quando algo sistêmico está fora do eixo, a gengiva, muitas vezes, “fala primeiro”.
Conclusão
Diabetes não é “apenas um número”. Para o periodonto, é um modificador de risco que influencia inflamação, cicatrização e resposta ao tratamento (PRESHAW, 2013; SCHLIEPHAKE, 2022).
Referências
AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Standards of Medical Care in Diabetes. [s.l.], [s.d.].
CHEE, H. K. et al. Long-Term Effect of Periodontal Therapy on HbA1c Changes in Type 2 Diabetes. Journal of Dental Research, v. 105, n. 1, p. 67–76, 2026.
PRESHAW, P. M. Diabetes and periodontitis: what’s it all about? Practical Diabetes, 2013.
SCHLIEPHAKE, H. The role of systemic diseases and local conditions as risk factors. Periodontology 2000, v. 88, p. 36–51,
2022.WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diabetes diagnosis and management resources. [s.l.], [s.d.].






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